Título: É uma linha tênue
Autor: Magalud
Censura: Impróprio para menores de 18 anos
Gênero: Angst, Romance
Spoilers: Todos os 5 livros, todos os 3 filmes – um bombom para quem achar a referência à capa do 6° livro!
Resumo: Snape tem uma noite de prazer com a professora que mais odeia em Hogwarts.
Notas: Peço desculpas se alguns dos nomes estiverem no original e não na tradução brasileira. Eu não acredito em traduzir nomes, embora eu conscientemente acredite em alienígenas como um exercício de estatística.
Nota 2: Essa fic é uma resposta ao desafio 26 do SnapeFest: "Fim da guerra. Snape se excede nas comemorações e vai para cama com a professora de DCAT, com quem ele vivia brigando. Ela fica grávida e Snape tem de lidar com o fato de que vai ser pai. Ele odeia a idéia. Ele odeia a mãe do filho dele. Na realidade, ela o odeia também. Pelo menos a princípio, mas as coisas mudam muito em 1 ano. Bônus para uma cena onde Snape fique sozinho pela primeira vez com um bebê de meses e tiver probleminhas com as fraldas."
Agradecimentos: Jana, minha beta querida.
Disclaimer: Todos esses personagens são de J.K. Rowling. Por favor, não me processe, porque eu não estou ganhando nenhum dinheiro com isso.
Esta fic faz parte do SnapeFest 2005, uma iniciativa do grupo SnapeFest, e está arquivada no site http://oxetrem.com/fest e no meu site http://www.geocities.com/snapesecrets

 

É uma linha tênue

 

Capítulo 1

 

Severus Snape flutuava num mundo líquido cinza muito confortável. Ele simplesmente existia, absorvendo sua existência e seu ambiente monocromático numa atmosfera de profundo contentamento. Não havia noção de tempo ou espaço, um aqui-agora constante e imutável permeava seu ser de maneira prazerosa.

 

Até que um grito agudo infernal o arrancou de seu idílio.

 

– AAAAAHHHHH!!!

 

Num reflexo, ele se sentou na cama. A primeira sensação que o assolou foi uma monumental dor de cabeça, que o fez fechar os olhos com uma careta. Então ele se deu conta de onde estava.

 

Ao contrário de sua cama com postes nus, essa tinha dosséis cor de vinho, e estava instalado num quarto muito diferente do seu: havia fotos bruxas, bibelôs, caixinhas, perfumes, bijuteria, penteadeira com um espelho de dimensões consideráveis, uma discreta prateleira de livros, abajur com renda. Enfim, um típico quarto de mulher.

 

A dona do quarto estava de pé, seu corpo nu envolto num lençol, olhando-o com um misto de horror, repulsa e surpresa, os olhos azuis faiscando.

 

Miranda Montgomery, atual professora de Defesa contra as Artes das Trevas na Escola de Hogwarts.

 

Severus quase gemeu de desespero.

 

Flashes da noite anterior espocaram em imagens esparsas na mente do Mestre de Poções. A solenidade no Ministério da Magia. O firewhisky. O vinho. Mais firewhisky. Um ardor que o percorreu dos pés à cabeça. O corpo em brasa com outro corpo em brasa.

 

Não era difícil deduzir o que tinha acontecido. Mas ele suprimiu um gemido ao ver o estado da mulher que o encarava, as sobrancelhas franzidas em ódio.

 

– O que significa isso?! – A voz dela era ainda mais aguda do que o normal, e ele sentiu redobrados os efeitos da ressaca, uma dorzinha aguda entrando pelos olhos e invadindo-lhe a cabeça.

 

– Parece óbvio, não?

 

– Não seja sarcástico, Snape! Você... você... você se aproveitou de mim!

 

Ele se incensou:

 

– Não mais do que a senhorita se aproveitou de mim, tenho certeza. Ambos estávamos sob efeito do álcool.

 

Os olhos azuis de Miranda brilharam ainda mais intensos:

 

– Você me embebedou!

 

Aquilo já era demais.

 

– Escute aqui, sua mulherzinha histérica – ele se levantou, aparentemente ignorando o fato de estar nu em pêlo, fazendo-a arregalar os olhos e desviar o olhar. – Não me venha com essa! Eu não forcei ninguém a coisa nenhuma! Pare de insinuar mentiras!

 

Ela ergueu a voz:

 

– Eu jamais o convidaria para meu quarto em meu juízo perfeito!

 

– Acredite: eu também não estava em meu juízo perfeito quando decidi aceitar seu convite! Se eu tivesse adivinhado que a senhorita era uma harpia descontrolada como a que eu estou vendo agora, eu teria me sentado em outra mesa!

 

– Seu... seu... seu homenzinho mesquinho e pequeno...

 

Ele a interrompeu:

 

– Pequeno? Não era isso que gritava há pouco tempo, lembra-se?

 

Aparentemente, ela se lembrava muito bem, porque ficou vermelha e se descontrolou ainda mais:

 

– Fora daqui! Fora!

 

– Não precisa repetir! – Ele já estava catando suas roupas, vestindo-se apressadamente.

 

– Eu nunca mais quero vê-lo de novo! Vá embora!

 

– A recíproca é verdadeira!

 

Severus apressou-se ainda mais quando ela, ainda aos gritos, começou a atirar contra a ele tudo em que podia colocar as mãos: sapatos, escova de cabelo, bibelôs.

 

"A mulher é doida", pensou ele, batendo a porta do quarto. "Só o que eu fiz foi dormir com ela. Que tipo de reação é essa?"

 

Virando o corredor, desceu as escadas até a masmorra, notando que o dia começava a amanhecer em Hogwarts.

 

Capítulo 2

 

Aplausos. Fotografias.

 

A solenidade era de gala no Ministério da Magia, onde várias salas do andar de entrada tinham sofrido extensa configuração para virar um único salão de baile. Aquele era o banquete oficial em comemoração à derrota de Lord Voldemort, com a condecoração de heróis da guerra. Apenas três pessoas tinham sido agraciadas com a Ordem de Merlin, Primeira Classe: o general da guerra, Albus Dumbledore; o executor de Voldemort, Harry Potter, e a peça-chave que permitiu ao lado da Luz frustrar o ataque das Trevas a Hogwarts, o espião Severus Snape.

 

Severus não podia deixar de sentir uma certa hilariância. Mais do que estar livre das tarefas de espião e do involuntário trabalho de ser babá do pirralho Potter, ele estava sendo reconhecido. Apreciado. Era isso que ele buscara toda sua vida e o real motivo de ter mudado de lado há tantos anos. Dumbledore o valorizava, confiava nele. Naquele momento, todo o mundo bruxo fazia o mesmo, prestando-lhe homenagens e estendendo-lhe a mesma apreciação e confiança – e Snape estava quase feliz. Houve também uma pequena homenagem póstuma a Sirius Black, o que para Severus empanou um pouco o brilho da comemoração.

 

A ministra Amélia Bones distribuiu mais medalhas na cerimônia, após a qual o baile começou. Era o momento de confraternização e Severus foi polidamente cumprimentado por muitos dos presentes, saboreando seu momento de glória. Depois de algum tempo, ele começou a achar que encontrar um lugar para se sentar era uma boa idéia.

 

Minerva McGonagall conversava animadamente com Miranda Montgomery na única mesa que dispunha de lugares vagos. Ele hesitou em ficar junto das duas. As discussões entre ele e Miranda tinham chegado a proporções épicas e Hogwarts em peso se esforçava para evitar que os dois se encontrassem. As coisas tinham se acalmado um pouco depois que Miranda fora informada que o Mestre de Poções era na verdade um espião. Agora os dois tinham chegado a um entendimento de que poderiam ter um relacionamento profissional, cordial e frio.

 

O problema é que McGonagall (incentivada por Dumbledore, claro) fazia de tudo para que todo o corpo docente de Hogwarts tivesse um bom relacionamento. Isso deve ter pesado quando ela acenou para ele:

 

– Severus, aqui! Sente-se conosco!

 

Foi impressão dele ou a Srta. Montgomery tentou esconder sua objeção?

 

– Senhoras – ele saudou cavalheirescamente, puxando a cadeira –, com sua permissão.

 

Houve uma polida troca de sorrisos, e Minerva inclinou-se para junto dele:

 

– Parabéns, Severus, a Ordem de Merlin! Fico muito feliz por você.

 

Ele reparou que o nariz da chefe de Gryffindor estava um tanto quanto avermelhado, e ela tinha o chapéu ligeiramente emborcado na cabeça. Isso mais o fato de haver uma garrafa de Scotch Muggle pela metade na mesa – apesar de a Srta. Montgomery estar bebericando uma taça de vinho – fez Severus compreender o estado da professora de Transfiguração. Polidamente, ele apenas disse:

 

– Obrigado, Minerva.

 

– Sim, professor – ajuntou apressadamente a Srta. Montgomery. – Parabéns.

 

– Muito agradecido, senhorita. A propósito, eu soube de sua participação na batalha final. Salvou a vida dos alunos do primeiro ano.

 

– Não fiz mais do que minha obrigação.

 

Severus renovou seu corpo de firewhisky puro e o Prof. Dumbledore se juntou a eles durante um tempo, mas logo tirou McGonagall para dançar. Por educação, apenas, Severus indagou a Srta. Montgomery se ela gostaria de dançar. Ela declinou, e por Legilimência, ele notou que ela mentia. Ela só não queria dançar com ele.

 

Mais bebidas chegaram. Harry Potter se juntou a eles, notadamente para conversar com a professora de Defesa contra as Artes das Trevas. Contudo, ele logo foi chamado para dançar pela Srta. Weasley. Severus entrou em mais uma dose de firewhisky, sentindo-se agradavelmente anestesiado. Até a companhia da Srta. Montgomery não lhe parecia particularmente desagradável naquele momento. Ele completou a taça de vinho de Miranda.

 

– Assim eu fico alegrinha – ela tentou resistir, a voz ligeiramente arrastada. – É bom o senhor também se conter, professor.

 

– Não há problema disso. Eu jamais me excedo – mas a voz dele também não era firme como de costume.

 

– Nisso eu acredito – Ela fez um gesto com as mãos. – Que o mundo caia no dia em que Severus Snape perder o controle!

 

– Senhorita, agora que estamos num ambiente descontraído, permita-me indagar: é impressão minha ou a senhorita faz um esforço extra para não gostar de mim?

 

Ela tomou um grande gole de vinho:

 

– Oh, bem, já que estamos fora da escola, posso dizer com mais conforto: não, eu não gosto. O senhor é desagradável sem motivo e nada simpático, além de ser injusto. Sinceramente, até bem pouco eu nem sabia de que lado estava.

 

– E agora que sabe? Não pensou em mudar um pouco de opinião?

 

– Custa ser um pouco mais simpático? Eu o vejo tratando os alunos feito lixo!

 

– Mr. Potter e eu resolvemos nossas diferenças, se é disso que está falando. Até mesmo Mr. Longbottom – suspirou. – Pena. Era uma delícia vê-lo tremer apenas com um olhar meu.

 

Ela se indignou, os olhos azuis soltando faíscas:

 

– Viu? Você sente prazer nisso!...

 

Sem remorso, ele assentiu.

 

– Aterrorizar alunos é um dos poucos prazeres a que eu me dava direito.

 

– Então não faz parte de sua persona como Death Eater disfarçado?

 

– Não – ele deu um sorrisinho, bebericando o resto de seu firewhisky. – Como disse, faço com prazer. É assim que eu sou, mesmo.

 

– E você acha isso engraçado? A escola inteira o odeia.

 

– O que eu acho engraçado é a senhorita se sentir no direito de sentar-se em seu pedestal e me julgar.

 

Miranda se avermelhou, e Severus descobriu que estava se divertindo cada vez mais.

 

– Você é mesmo um homem horrível. Eu atendo vários alunos traumatizados com suas grosserias.

 

– Como se a senhorita fosse bem melhor do que eu.

 

– Eu nunca maltratei um aluno!

 

– Mas não é superior a mim. Tem defeitos, desejos e segredos como qualquer um. Vai negar?

 

Ela teve que engolir o sarcasmo dele.

 

– Isso é natural de qualquer ser humano.

 

– Então porque os condena em mim? Ou será que toda essa animosidade é apenas pano de fundo para algum desejo inconfessável?

 

– Por você? – ela quase riu, mas estava muito irritada. – Está se valorizando muito, Prof. Snape.

 

– Não, eu só estou vendo uma mulher carente e amarga. Se quiser, posso tratar disso para a senhorita.

 

– Como ousa...! – A voz trêmula.

 

– Oh, bem – ele deu outro sorrisinho por trás do copo de firewhisky. – Eu devia imaginar que era frígida.

 

O vinho subiu à cabeça de Miranda e ela ergueu uma mão para esbofeteá-lo. Num reflexo, ele a interceptou, voltando seu olhar direto para os olhos azuis que chispavam de um ódio quente e avassalador. Severus murmurou:

 

– Se está interessada, por que não vem comigo e discutimos isso a sós, sem olhares incômodos? – A voz dela era pura sedução. – Talvez num lugar mais reservado. Alguma sugestão?

 

O vinho a fez lançar um desafio impensado:

 

– Nos meus aposentos, então.

 

– Não pense que não vou aceitar a sugestão. Tem certeza de que é o que quer? Ou está só me provocando?

 

– Agora é você que quer cair fora?

 

– Devia saber que quando me proponho a uma coisa, eu vou até o fim. A seus aposentos, então.

 

Capítulo 3

 

Nenhum dos dois soube dizer direito como conseguiram sair da festa sem serem notados, ou detalhes de como terminaram voltando a Hogwarts, a bebida falando mais alto. Aliás, era tanto álcool que os dois mal entraram no quarto e já se atracaram um no outro, as bocas coladas, os corpos se agarrando. Eram beijos desesperados e ferozes, pois um tentava estabelecer a dominância sobre o outro. As roupas foram arrancadas, e Severus deixou seus olhos passearem um minuto pelo corpo bem-feito da ex-Auror: os seios eram pequenos, as curvas da cintura acentuadas, a pele branca impecável contrastando com os cabelos castanhos.

 

Ele avançou sobre ela com intensidade, jogando-a na cama e cobrindo o longo pescoço de beijos. Ela suspirou e não pela primeira vez, ele notou como ela respondia a seus estímulos, apesar de estar tão alterada pelo álcool quanto ele.

 

Severus desceu a cabeça para roçar seus lábios nos mamilos rosáceos e chupá-los, usando os dentes para endurecê-los e incitando um pequeno som vindo da garganta de Miranda. As mãos dele deslizavam sobre a pele alva, indo para o baixo ventre, provocativas. Por instinto, ela afastou as pernas, facilitando-lhe o acesso. Mas ele se desviou de seu objetivo, massageando-lhe as nádegas. Ela ergueu a pélvis, frustrada e esticou a mão entre os dois corpos, procurando a parte de sua anatomia que parecia pronta para ela. Os dedos longos se fecharam sobre a ereção e Severus estremeceu de prazer, mas não a deixou estimulá-lo, ou a diversão acabaria logo.

 

Depois de brincar com dentes e língua nos mamilos rosáceos, ele começou a descer pelo abdômen dela, a língua deixando um rastro úmido e quente até o umbigo. Ela tremia de desejo. Mais uma vez, ele passou a mão na suave floresta de cachos bem-aparados, notando um esforço de depilação. Ele sorriu, excitado, e desceu ainda mais para beijar-lhe a parte interna das coxas. Pelos suspiros e gemidos, ele pôde perceber a frustração de Miranda, que movimentava os quadris, impaciente.

 

Usando os dedos, Severus afastou os lábios e usou a língua para tocar-lhe as dobras úmidas. Ela gritou, arqueando-se, e ele mudou de ângulo: a língua entrou para o centro de sua feminilidade e o seu nariz pressionava o montinho de nervos que concentrava seu prazer. Miranda mais uma vez gritou, corcoveando, e ele resolveu estimulá-la também com os dedos. A moça foi às nuvens, ele podia perceber, especialmente quando ela agarrou-lhe os cabelos com as duas mãos, puxando-o ainda mais contra si. Ele massageou o clitóris com mais vigor, a língua alternando-se em lamber e chupar-lhe as saliências, e então ela se arqueou toda, soltando um uivo alto e longo que parecia vir do fundo de seu ser.

 

Severus não a deixou recobrar o fôlego depois do que parecia ter sido um orgasmo poderoso: num movimento rápido, virou-a de bruços, ergueu seus quadris e arremeteu para dentro de suas dobras úmidas e famintas, a ereção se ajustando facilmente às paredes vaginais hiper-lubrificadas. Como ela era apertada! Talvez realmente não fizesse sexo há muito tempo.

 

Ele se surpreendeu com a resposta rápida dela, que não hesitou em empinar as nádegas, fazendo-o enterrar-se ainda mais dentro dela. Com um giro nos quadris, ele respondeu ao gesto e em segundos os dois estavam engajados na coreografia delirante e sensual de seus corpos suados. Miranda gritava, e mesmo com a voz arrastada devido ao álcool, ela elogiava sua masculinidade e pedia mais.

 

Ela estava bem perto de um novo orgasmo, Severus pôde perceber. Ele aumentou o ritmo, apertando-a contra si até seu peito estar praticamente grudado nas costas dela, as mãos a amassar-lhe os seios pequenos e firmes. Ela corcoveava debaixo dele, enlouquecida, e logo soltou um novo uivo. Severus sentiu a contração de seus músculos vaginais em seu pênis e por mais que quisesse prolongar a sensação, ele ultrapassou as barreiras do prazer e explodiu, despejando sua semente no corpo de Miranda.

 

Severus deixou-se cair sobre ela, ficando na mesma posição, movendo-se apenas para não deixá-la sem ar. Escorregou para o sono com o corpo quente de Miranda em seus braços.

 

Acordou pouco tempo depois com uma deliciosa sensação no meio das pernas. Havia ainda álcool em seu organismo e ele teve que piscar duas vezes para ver que Miranda tinha os lábios envolvidos em sua ereção, que se firmava rapidamente. Ela tinha uma das mãos pressionando a base, até onde a boca não alcançava, e a outra a brincar com seus testículos. Só a visão do que acontecia terminou de acordá-lo, agora totalmente rígido.

 

Ele a ergueu, os lábios dela sugando com tanta força que um "pop" suave se ouviu quando se afastaram de seu pênis. Manobrando-a, ele se deitou virado para o lado oposto e fez com que ela se deitasse por cima dele encarando seus pés. Miranda entendeu o recado e posicionou-se para continuar a felação, num 69 perfeito. Severus passou a alternar dedos e lábios em seus lugares mais recônditos, arrancando dela sussurros e gemidos.

 

Quando ele estava a ponto de explodir, mudou de posição: ele a deitou de costas e prendeu seus braços com uma mão, usando a outra para afastar uma de suas pernas e enterrar-se dentro dela lentamente, saboreando o calor e a pressão de seu canal estreito. Ela enlaçou a outra perna em sua cintura, puxando-o para junto de si, para mais fundo. Severus pôs-se a estocá-la num ritmo lento e preguiçoso, e Miranda gritava pedindo mais, e mais rápido. Ele sorriu, maroto, sem mudar o ritmo, mas passou a esfregar com os dedos o botãozinho que a alucinava. Ela urrou de prazer.

 

Os sons de pele se esfregando contra pele se misturavam aos murmúrios de prazer dos dois, que gradualmente aceleraram o ritmo. As pernas de Miranda o abraçavam com tanta força que ele temeu danos em suas costelas.

 

O corpo dela enrijeceu todo, e ela jogou a cabeça para trás, em êxtase. Os músculos vaginais fecharam-se sobre o pênis de Severus e ele viu seus olhos se acenderem quando mais uma vez seu sêmen jorrou para dentro da moça. Ofegante, ele tombou para o lado e puxou-a para junto de si. A respiração ainda era rápida quando ele aninhou sua cabeça entre os seios pequenos e macios, minutos antes de deslizar para um sono pesado e acinzentado.

 

Poucas horas depois, claro, aquela tranqüilidade se evaporou na madrugada de Hogwarts.

 

Capítulo 4

 

Apesar de ser uma mulher fisicamente forte, Miranda não passou incólume ao dia seguinte da bebedeira. Seu estado de espírito não ajudava muito: a idéia de que tivesse feito sexo com Snape, seu desafeto declarado, repugnava-a. Que estupidez! Ela se prometeu nunca mais tomar mais de duas taças de vinho durante uma noite inteira.

 

Felizmente, no dia seguinte à festa da vitória sobre Voldemort, a escola estava vazia: o Prof. Dumbledore tinha decretado 10 dias de folga para que os alunos pudessem visitar suas famílias depois da grande batalha. Miranda também queria aproveitar o descanso, mas resolveu adiar a partida para curar seu mal-estar. Passou na ala hospitalar e pediu a Madame Pomfrey uma poção para diminuir os efeitos da ressaca. Se ela ao menos pudesse diminuir os efeitos da vergonha e do arrependimento que sentia por ter dormido com Snape...

 

Sua tia Lucy, que a criara depois do sumiço dos pais, esperava-a para o período de lazer. Mas Miranda estava mesmo perturbada. A indiscrição da noite passada tinha-a atingido mais fundo do que ela pensava e antigas lembranças vieram à superfície, nítidas e amargas.

 

Sua mente se voltou para Edwin: alto, louro, atlético, um Auror de sorriso fascinante que a deixou apaixonada assim que se conheceram. Seu noivado com ele foi o período mais feliz de toda a sua vida. Ela também era Auror, tinha uma brilhante e promissora carreira pela frente, um casamento para planejar e sua vida parecia direcionada para um grande final feliz. Miranda tinha plena confiança nas autoridades do Ministério e lia o Profeta Diário regularmente, acreditando piamente no que lia em suas páginas.

 

Quando engravidou, Miranda não gostou. Um filho àquela altura significaria que Edwin provavelmente pressionaria para apressar o casamento. Pior do que isso: ela poderia ser transferida do Quartel-general de Aurores e isso era a última coisa que ela queria. Miranda adorava seu trabalho de campo. Ainda mais agora, que eles estavam empenhados na recaptura do fugitivo Sirius Black. Haveria tempo para filhos mais tarde, depois de alguns anos de casada. Portanto, ela não pestanejou quando decidiu abortar a criança. Nada disse a Edwin, querendo poupar-se de aborrecimentos.

 

Foi logo depois disso que Miranda acompanhou pelos jornais a campanha contra Albus Dumbledore e Harry Potter, que juravam – a despeito de todas as negativas do Ministério – que Você-Sabe-Quem tinha voltado. Ela achou tudo muito estranho, pois como egressa de Hogwarts, ela tinha o maior respeito pelo ex-diretor e chefe do Wizengamot. Mas em sua opinião, toda essa história de que Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado estava de volta era absurda ao extremo. Ela concordava plenamente com o Ministro Fudge, que, aliás, era seu chefe.

 

Isso até que Edwin foi chamado para atuar na prisão de Sturgis Podmore, que tentou penetrar no misterioso Departamento de Mistérios, mais ou menos nessa mesma época. Miranda não pensou duas vezes no trabalho que o noivo estava realizando, era um trabalho como outro qualquer para um Auror.

 

Então Edwin sumiu. Desapareceu.

 

Miranda ainda tinha calafrios ao se lembrar daquela época: ela vasculhou tudo o que pôde, investigou ao máximo nas horas vagas, revirou a casa dele em busca de pistas sobre seu paradeiro. Colegas do QG a ajudaram na busca ao colega desaparecido, sem sucesso. Edwin simplesmente tinha desaparecido da face do mundo bruxo.

 

Foi então que Miranda teve uma epifania que a abalou até o âmago de seu ser: ele tinha sido vítima de Voldemort. Isso significava que Dumbledore tinha razão, e que o temível Lord estava de volta. Ela reconheceu o padrão porque já passara pela mesma coisa anteriormente. Seus pais também tinham desaparecido depois que se pronunciaram contra as idéias de supremacia racial do Lord das Trevas. Isso aconteceu quando ela tinha cerca de seis anos, e foi morar com a irmã de seu pai, a tia Lucy a quem tanto amava.

 

Ela só não sabia o que Edwin tinha feito para provocar a ira do bruxo das trevas. Mas o pior não foi isso, e sim o fato de ela ter revelado suas suspeitas aos que a rodeavam, notadamente, seus colegas de trabalho. Miranda passou a ser mal-vista dentro do QG, por defender algo que o Ministério tentava tão arduamente abafar. Um colega que se tornara seu grande amigo, Kingsley Shacklebolt, aconselhou-a a manter suas opiniões para si. Mas a falta de Edwin a deixava cega. Além do mais, ela era cabeça-dura demais para ouvir conselhos. Edwin tinha morrido, ela sabia, e agora era preciso fazer alguma coisa para deter Você-Sabe-Quem.

 

Não só a perda de Edwin a feria, mas também o arrependimento por ter feito o aborto meses atrás. Se ela tivesse decidido ficar com a criança, ao menos ela teria um pedaço de Edwin com ela, o fruto de seu amor. Mas ela tinha feito uma opção por sua carreira, sem saber que aquela seria sua única chance de ter um filho com o homem que amava. Isso a matava por dentro.

 

Mas suas desgraças não pararam por aí. Por causa de suas opiniões e por se aliar a Dumbledore, ela foi transferida do cargo de Auror para uma seção burocrática do Departamento de Cumprimento da Lei. Estava impedida de fazer justamente o que mais gostava, o trabalho de campo. Ela ficou profundamente deprimida.

 

Quando houve a Batalha do Departamento de Mistérios e o ministro Cornelius Fudge reconheceu a volta de Voldemort, Miranda pensou que teria seu velho cargo de volta. Mas a inexorável burocracia do serviço público bruxo, somada à troca de Fudge por sua chefe imediata, Amélia Bones, deixaram Miranda no mesmo trabalho maçante por mais um ano. Ela achou que fosse enlouquecer.

 

Só então uma luz surgiu no fim do túnel: o convite do diretor de Hogwarts para que ela fosse lecionar Defesa contra a Arte das Trevas. Sem dúvida, ela devia a indicação a seus colegas de trabalho Shacklebolt e Tonks. Sem pestanejar, ela aceitou o desafio, largando os mais de 10 anos de trabalho no Ministério sem olhar para trás e sem qualquer arrependimento.

 

Até pisar o pé em Hogwarts e dar de cara com Severus Snape.

 

Como ex-aluna do Mestre de Poções, ela tinha seus traumas, como muitos dos que saíram dos bancos escolares de Hogwarts. Contudo, Miranda imaginou que agora as coisas seriam diferentes, uma vez que ela não tinha mais 16 anos e que eles seriam colegas. Ledo engano. Snape era o mesmo homem sarcástico, cruel, injusto, irritante e horroroso de que ela se lembrava.

 

Sem mencionar a suspeita de que ele era um Death Eater.

 

Miranda o odiava visceralmente e a recíproca era verdadeira. As brigas entre os dois rapidamente escalaram para níveis alarmantes, e a moça odiava ainda mais o fato de que ele a fazia perder o controle, explodindo em acessos de fúria. Ela ficava tão enlouquecida de ira que ficava parecendo uma histérica, e ele perversamente se divertia em apontar isso. Foi preciso a intervenção do Prof. Dumbledore para que os dois fossem forçados a entrar num acordo de se ignorarem polidamente. Ajudou o fato de o diretor ter assegurado que Snape era um agente contra Voldemort.

 

Mas voltando ao tempo presente, Miranda percebia que tudo isso a perturbava muito em vista da noite de sexo casual com Snape. Ela estava com raiva de si mesma, o orgulho ferido, sentindo-se estúpida por ter sido pega desprevenida, num momento de fraqueza. Ela se sentia culpada por ter traído a memória de Edwin e pior de tudo: ela tinha adorado. Miranda não tinha deixado ninguém se aproximar dela desde a morte de seu noivo, e obviamente seu corpo sentia falta dos carinhos de um homem. Que Snape tivesse sido o homem a quebrar esse jejum a estava matando, especialmente porque ela não tinha como não reconhecer que ele era muito bom naquilo. Ela acordara se sentindo satisfeita, seu corpo saciado, vibrando cada vez que ela se lembrava das cenas daquela noite.

 

Maldito Snape!

 

Talvez aqueles dias com a tia Lucy a fizessem esquecer das impressões que seu corpo trazia daquele homem repulsivo.

 

 

Quando Severus deixou Hogwarts para cuidar de seus assuntos particulares durante a folga de 10 dias no pós-guerra, ele estava certo de que Miranda Montgomery estaria fora de sua memória quando voltasse. Ele estava errado.

 

A mulherzinha irritante nunca merecera mais do que um olhar superficial dele. Ele sequer se lembrava dela como aluna: provavelmente tinha sido uma garota sem graça ou sem importância. Mas ela tinha desabrochado numa mulher bem-apanhada e interessante de ser ver. Mas quando abria a boca...

 

Severus meneou a cabeça, ligeiramente irritado. A folga tinha chegado ao fim, e a mulher infernal ainda estava em sua cabeça quando ele deveria estar preparando as aulas de Poções Avançadas para o sexto e sétimo ano. Pôs-se a procurar o livro de excelente autor Libatius Borage.

 

Alguém bateu à porta e ele foi atender.

 

Era ela em pessoa. Miranda Montgomery.

 

– Er, bom-dia, Prof. Snape – ela parecia constrangida.

 

– Senhorita – ele procurou ao máximo disfarçar a surpresa.

 

– Teria um minuto, por favor? Prometo não lhe tomar seu tempo.

 

– Claro, entre.

 

Ela aproveitou para observá-la atentamente, notando-lhe o nervosismo e o modo como as vestes lhe revelavam as formas.

 

– Professor, eu vim me desculpar por meu comportamento na... outra noite – rubor – Foi extremamente impróprio.

 

Ele pensou rapidamente numa resposta:

 

– A senhorita não estava no seu estado normal.

 

– Isso não é justificativa para o modo como eu o tratei. Foi infantil e desproporcional. Gostaria que me perdoasse, já que temos o resto do ano letivo para conviver.

 

Por um momento, Severus pensou em divertir-se torturando-a em seu constrangimento. Mas ele podia notar que aquilo não estava sendo fácil para ela e optou por dizer:

 

– Desculpas aceitas. Acho que será possível estabelecermos um padrão de convivência aceitável. A menos que esteja pensando em um outro tipo de arranjo.

 

– Como o quê?

 

A sobrancelha ergueu-se:

 

– Uma aproximação romântica.

 

Ela ficou vermelha feito um pimentão:

 

– Não, eu não acho que seja uma boa idéia, tendo em vista o...er... antecedente.

 

– Concordo plenamente. Só quis me certificar de que temos o mesmo ponto de vista sobre o assunto.

 

– Totalmente – ela reforçou, esbaforida. – O que aconteceu foi um erro e jamais deverá se repetir.

 

– É um trato, então. Gostaria de celebrar com uma xícara de chá?

 

– Não, obrigado. Não quero tomar mais de seu tempo. Tenha um bom-dia, Prof. Snape.

 

Ele se despediu polidamente e a observou sair, apressada, como se não quisesse ficar ali um minuto além do necessário. Ótimo, pensou Severus, porque ele também não queria vê-la mais do que precisava.

 

Será mesmo?