Capítulo 4 – Cerimônia e sem cerimônia

 

Harry teve mais uma conversa séria com seus pais antes da cerimônia de união bruxa, o que equivalia a um casamento. Ele iria participar da solenidade, não apenas como portador das alianças, mas também como co-participante. É que Remus e Severus tinham decidido ampliar a cerimônia para que fosse também uma união mágica entre os três. Era como uma adoção mágica, que os faria ainda mais seus papais, explicaram os dois. Harry ficou maravilhado com aquilo. Ele nunca tinha sido tão desejado antes.

 

Então, naquela noite, Harry ficou com o Papai Remus e a Profª McGonagall, enquanto o Papai Severus se arrumava com o Prof. Dumbledore. Dava azar os noivos se verem antes do casamento. Depois eles foram para o gabinete do diretor, onde ocorreu a cerimônia. Com suas vestes novas, Harry sentiu-se muito importante, carregando a almofadinha com as alianças mágicas.

 

Seus papais também estavam usando roupas bonitas, e o cabelo do Papai Severus estava muito brilhante. O Prof. Dumbledore oficiou a cerimônia, com o Prof. Flitwick para ajudá-lo. A Profª McGonagall era testemunha do Papai Remus, enquanto Madame Pomfrey era testemunha do Papai Severus. Um homem que ele não conhecia estava ali ao lado, com vários rolos de pergaminho.

 

O Prof. Dumbledore usava a varinha para encher a sala de luzes, e Harry foi chamado a apresentar as alianças. Com um floreio, as alianças foram erguidas no ar e banhadas em luz, e Papai Remus e Papai Severus sorriram um para o outro, dando as mãos.

 

Harry estava tão embevecido que quase tomou um susto quando o Prof. Dumbledore se dirigiu a ele:

 

– Harry, Remus e Severus gostariam de unir-se a você, tornando-o seu filho também como bruxo. Mas isso só pode acontecer se você realmente quiser, do fundo de seu coração. Então, por isso eu pergunto: você quer ser filho de Remus Lupin? Basta responder sim ou não.

 

– Sim.

 

– E você também quer ser filho mágico de Severus Snape?

 

– Quero, sim.

 

Harry viu a varinha do Prof. Dumbledore descrever desenhos no ar, e um raio dourado envolveu os três numa rede de fios bem fininhos. Uma sensação gostosa tomou conta de Harry e ele deu um risinho, a mágica a envolvê-lo.

 

Agora ele era filho de seus papais, de verdade.

 

E foi isso que detonou toda a confusão.

 

 

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Logo depois da cerimônia, Remus e Severus saíram para algum lugar misterioso, onde eles iriam entrar numa coisa que Harry descobriu ser lua-de-mel. Ele já tinha ouvido a palavra antes, mas não sabia o que queria dizer. Aparentemente todo mundo que casava entrava em uma. Madame Pomfrey explicou que lua-de-mel era um tempo que o casal tinha para si mesmo, só para namorar. Harry imaginou que eles iam querer se beijar muito.

 

Então, durante a lua-de-mel, Harry ficou sob os cuidados da Profª McGonagall, e às vezes de Madame Pomfrey também. Hagrid o convidou para brincar um pouco com Fang. No final, Harry ficou um pouquinho com muitos professores, que pareciam gostar muito dele. O menino nunca recebera tanta atenção, mas sentiu falta de seu papai Remus quando foi dormir. A Profª McGonagall o colocou para dormir, beijou sua testa e desejou boa noite, mas ele sentiu falta de seu papai. Apertou Urso e tentou dormir, desejando que eles voltassem logo da tal lua-de-mel.

 

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– Espero que ele esteja se dando bem com Minerva.

 

– Ela adora Harry, você sabe disso. E espero que não esteja pensando em falar de Harry agora, Remus.

 

– Não, eu...

 

– Ótimo. Porque eu quero você calado. Não quero ouvir mais uma palavra.

 

Severus encostou Remus contra a parede, colando-se ao seu corpo e deixando o lobisomem sem fôlego. Ao colar seus lábios nos dele, não deu chance para que ele recuperasse o fôlego tampouco. Suas mãos foram até a cintura, e Remus acariciou os antebraços pálidos. Os quadris do lobisomem se mexeram, e ele sentiu um volume pressionando sua coxa.

 

O beijo transformou-se num exercício por dominância, e os dois terminaram rodopiando pelo quarto do hotel, caindo na cama por pura sorte. Remus sentou-se sobre as coxas de Severus, e as mãos longas do mestre de Poções tentavam entrar nas calças do marido. Remus se inclinou para beijá-lo, outro beijo ardente, que só fez Severus se esmerar em apalpá-lo por todo o corpo, excitando-o.

 

Remus separou-se de Severus, erguendo-se por um minuto para livrar-se de suas roupas a jato. Severus, com um sorriso dos mais safados, usou um feitiço verbal para se livrar das suas.

 

– Você faz isso como ninguém. Precisa me ensinar o seu jeito.

 

– Antes quero ensinar outras coisas. Vem cá.

 

Completamente nus, os dois se abraçaram, e suas ereções roçaram, fazendo ambos gemerem quase em uníssono. Severus capturou os lábios de Remus enquanto levava sua mão até o pênis firme do lobisomem, que gemeu alto, mexendo-se instintivamente.

 

Então de repente Severus virou-se, deixando Remus embaixo de si, ardente e impaciente. Era o que ele queria para deslizar para baixo e abocanhá-lo inteiramente.

 

Remus arqueou na cama, gritando alto de tanto prazer. Severus era extremamente talentoso naquela área. A boca, quente e úmida, tinha ainda uma língua nervosa que fazia Remus praticamente espasmar de tanto prazer. Apesar de ser um homem adulto, Remus se sentia como um adolescente incapaz de controlar seu corpo. Porque Severus sabia exatamente como sugar para criar firmeza, e como alternar lambidas, beijos e chupadinhas para fazê-lo parar de raciocinar. Assim, ele corcoveava sob os carinhos de Severus, que não fazia qualquer esforço para detê-lo.

 

De repente, o calor desapareceu e Remus olhou para baixo. O corpo pálido e magro de Snape apareceu diante do lobisomem. Não era um corpo atraente, a exemplo do rosto magro e cheio de ângulos. Mas Remus sentiu uma onda de desejo tão básico atravessar-lhe o corpo que ele puxou-o contra si, beijando-o desesperadamente.

 

Os dois se atracaram de maneira frenética, os quadris se movendo, a fricção aumentando. O contato entre seus corpos suados trazia a Remus uma sensação inebriante. Ele estava chegando perto.

 

Os dedos de Snape, longos e precisos, começaram a buscar a abertura tão desejada. Remus ergueu as pernas, sentindo os dedos tateando atrás de sua ereção, além das suas bolas. Após um feitiço silencioso, um dos dedos escorregou para dentro sem dificuldades, e Remus sentiu o mundo espiralando de prazer.

 

Então algo muito maior e mais quente tomou o lugar do dedo, e Remus gemeu alto, um ruído vindo do fundo da garganta. Quando estava todo dentro, Severus se sentiu em casa, ofegante e trêmulo.

 

Droga, ele não iria resistir muito tempo, mas aquilo era tão bom, tão bom.

 

Então ele pôs-se a se mexer, primeiro procurando imprimir um ritmo lento. Remus, contudo, não queria saber de ir devagar. Ele estava gemendo e chamando Severus, seu corpo inteiro tremendo, e então Severus estocou fundo, atingindo-o em seu ponto mais sensível.

 

Bem quando Remus achou que não iria agüentar mais, Severus agarrou seu pênis. Remus gritou. Severus não precisou dar dois puxões e Remus derramou-se todo em sua mão, gritando a plenos pulmões. A força de seu orgasmo foi tamanha que impulsionou o de Severus, que também gritou. Ambos caíram sobre a cama, exaustos numa confusão de braços e pernas, mas sempre juntos. Coube a Severus murmurar um feitiço de limpeza. Remus só comentou:

 

– Ainda bem que não estamos em casa. Harry teria que estar morto para não ouvir isso....

 

 

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A volta deles foi uma ocasião maravilhosa para Harry, porque ele ia para o seu quarto definitivo, no dia que os alunos chegavam a Hogwarts para o ano letivo. Isso significava que Harry também começaria suas aulas. Agora, ele pensava, quem sabe ele poderia fazer amigos, sem Dudley para bater em todo mundo que queria brincar com ele.

 

Seus papais avisaram que o salão estaria cheio de estudantes, e que Harry poderia ver todos quando se sentasse à mesa principal, como sempre, na cadeira especialmente enfeitiçada para sua altura. Mas Harry não tinha idéia de que eram tantos alunos.

 

Maravilhado, Harry assistiu à cerimônia de Seleção com os olhos brilhando. Primeiro, ele ouviu a música do Chapéu Seletor. Harry já conhecia mais sobre as casas, e sabia que o Papai Remus (assim como Papai James e Mamãe Lily) tinham freqüentado Gryffindor. Papai Severus era de Slytherin. Mas ninguém tinha dito para ele que quem escolhia as casas era um chapéu falante. Ele mal podia esperar para chegar a sua vez de sentar naquele banquinho alto e colocar o chapéu na sua cabeça.

 

Depois da seleção, o Prof. Dumbledore saudou os alunos:

 

– Bem-vindos todos os que estão começando em Hogwarts! E bem-vindos de volta aos nossos alunos regulares! Este deve ser um ano cheio de novidades. O Prof. Kettleburn, de Trato de Criaturas Mágicas, está se preparando para se dedicar à sua aposentadoria. Para tanto, ele contará esse ano com um professor-assistente, o Prof. Remus Lupin. Ele se integra ao nosso staff e trouxe seu filho Harry. Portanto, não estranhem se virem uma criança pelos corredores. O Prof. Lupin está alojado com seu parceiro, o Prof. Snape, nas masmorras.

 

O burburinho foi grande, e Harry viu todos aqueles alunos olharem para ele e seus dois papais. Ele ficou nervoso, mas Papai Remus pegou o braço dele e cochichou:

 

– Está tudo bem, Harry. Eu também fico nervoso com tanta gente.

 

O menino sorriu para seu papai. Ele parecia sempre adivinhar o que ele estava pensando.

 

O Prof. Dumbledore continuou:

 

– Advirto os alunos do primeiro ano e lembro os demais que a Floresta Proibida é absolutamente interditada a todos os estudantes. O Sr. Filch também está autorizado a punir os alunos que ignorarem essa regra. Bom, antes do jantar, apenas mais algumas palavras: podem comer!

 

A comida apareceu no prato, e Harry olhou para seu Papai Severus, que ergueu uma sobrancelha. O menino jantou com seus pais, ignorando a multidão, como se estivessem apenas os três juntos. Papai Severus disse:

 

– Assim que você terminar de comer, vamos dormir, porque amanhã você tem escola cedo.

 

– A minha nova escola, né, Papai Severus?

 

– Isso mesmo. Você tem aulas amanhã e não pode dormir tarde, ou estará dormindo durante as aulas. Você precisa de uma sonequinha?

 

– Eu não sou nenezinho para dormir de dia!

 

– Então termine logo seu jantar

 

Depois da sobremesa, o Prof. Dumbledore convidou todos a cantarem o hino da escola. Harry ficou admirado, não com a fita que se desenrolou com a letra do hino, mas com o fato de que todo mundo cantava com a música que queria.

 

Hogwarts parecia cada vez mais divertido!

 

O Prof. Dumbledore então pediu:

 

– Monitores, levem os alunos aos seus salões comunais! E boa noite a todos!

 

O burburinho ficou mais alto. Um aluno de cabelos ruivos muito brilhantes se ergueu e chamou:

 

– Gryffindors, venham comigo!

 

Remus ajudava Harry a descer da cadeirinha e indagou:

 

– Aquele é o filho de Molly e Arthur?

 

– Sim, é William. É o monitor da casa.

 

– Nossa, como ele está grande! Eu me lembro dele bem pequeno. E aquele outro também é um Weasley?

 

– Precisamente, ele é Charles. Ainda tem mais uma horda de Weasleys para entrar em Hogwarts.

 

De mãos dadas com seus dois papais, Harry observou quando todos saíam do Salão Principal, alunos e professores. Alguns olhavam para ele disfarçadamente, outros nem disfarçavam tanto assim.

 

Severus não podia evitar ouvir os comentários mal-disfarçados:

 

– Snape tem um filho?

 

– Ew! Como foi que ele conseguiu? Quem iria querer casar com aquilo?

 

– O cara novo, aparentemente, quis casar com ele.

 

– Ele parece normal. O cara novo, não o Snape.

 

– Tadinho do garoto. Ele parece alguém conhecido, mas não sei dizer quem.

 

Os murmúrios iam desaparecendo à medida que eles iam chegando perto das masmorras, e as pernas de Harry estavam se arrastando. Remus o pegou no colo e prontamente o garoto se aninhou no colo do pai, mal mantendo os olhos abertos.

 

– No próximo ano, ele vai dormir antes do Banquete de Boas-Vindas – decidiu Severus. – Amanhã ele tem um dia importante e precisa estar bem descansado.

 

Remus ajeitou-o, os braços do menino estirados ao longo de seu corpo alto.

 

– Ou ele pode tirar uma sonequinha durante o dia.

 

– Eu não sou bebezinho... – O protesto foi quase inaudível pelo imenso bocejo.

 

– Veremos.

 

Capítulo 5 – Primeiro dia de escola

 

– Será que ele está gostando? E se ele não gostar?

 

– Remus, por favor. Agora é hora do almoço.

 

– Será que eles vão se lembrar de dar as poções a ele?

 

– Remus, pare com isso. Você só tem mais duas aulas. Depois delas, você poderá apanhá-lo e verificar tudo isso por si mesmo.

 

– Eu sei. Mas fiquei de ajudar Kettleburn. Você vai ter que apanhá-lo. Acho que estou exagerando um pouco. Mas é o primeiro dia dele, Severus. E se ele não fizer amizade com nenhum amiguinho? E se eles ficarem perguntando sobre a cicatriz?

 

– Nós falamos sobre isso com ele, explicamos o que ele podia saber, checamos todos os alunos matriculados na escola, e Harry é um menino inteligente e vivaz, capaz de se sair muito bem de situações embaraçosas.

 

Remus o encarou:

 

– Você sempre tem explicação para tudo, não é, Severus?

 

– Não. Não consigo explicar essa sua insegurança irracional.

 

– Estou ansioso. Mas... não sei se é sobre o primeiro dia de Harry na escolinha.

 

Severus olhou em volta. O Salão estava calmo, com os alunos fazendo seu tradicional burburinho e os professores conversando calmamente. Então, ele pôs sua mão na perna de Remus.

 

– Eu sei. Eu também estou ansioso.

 

O sentimento durou até o final da tarde, quando Severus desceu a colina até Hogsmeade e foi apanhar Harry de volta a Hogwarts. Mal apareceu na porta da escola, Harry correu até ele:

 

– Papai Severus!!

 

Harry se abraçou a ele, um sorriso de partir a cara ao meio. Severus ergueu uma sobrancelha:

 

– Podemos ir?

 

– Está bem. Vou só dar tchau aos meus amigos.

 

Ele se virou e gritou para algumas crianças que estavam com os pais e responsáveis. Uma professora veio falar com ele:

 

– O senhor é pai do Harry, não? Vai gostar de saber que o primeiro dia dele foi excelente. Para alguém com background totalmente Muggle, ele se integrou rapidamente aos demais alunos.

 

– Excelente. O pai dele e eu pensamos que Harry poderia querer ter aulas de reforço. Sobre costumes bruxos.

 

– Não vejo necessidade. Ele parece estar se adaptando muito bem. Ele só estranhou um pouco que todos os alunos tenham vindo falar com ele. Literalmente todos. Ele sendo Harry Potter...

 

– Entendo. Ele se assustou?

 

– Um pouco. Mas tentamos convencer Harry de que isso logo passaria. E, na verdade, foi o que aconteceu. Ele absorveu tudo muito bem.

 

– Excelente. Mantenha-me informado.

 

– Com certeza.

 

– Harry! Vamos!

 

O menino despediu-se mais uma vez das demais crianças, e os dois começaram a subir a colina para Hogwarts, com Harry fazendo um relatório das atividades do dia, tagarelando sem parar, excitado e feliz:

 

– Essa escola é muito legal, papai! Não é igual ao meu jardim. Eu já sabia escrever, mas agora tem mais palavras, papai! E os livros são mágicos também!

 

– E seus colegas?

 

– Eles sabiam da minha cicatriz e do bruxo mau, papai! Que nem você falou! Eu mostrei a cicatriz para Neville, e aí todo mundo queria ver!

 

– E o que eles disseram?

 

– Eles queriam saber do bruxo mau.

 

– E o que você disse?

 

– Que eu não me lembrava.

 

– Fez muito bem, Harry.

 

– Mas é a verdade! Eu não me lembro. E todo mundo queria saber. Só o Neville que não fez muitas perguntas. Ele é muito legal. Ele me ensinou a jogar um jogo chamado Gobstones!

 

– E você gostou desse jogo?

 

– É muito legal, papai! Depois eu ensino para você.

 

– Só se for depois. Primeiro seu pai vai querer ouvir tudo o que aconteceu na sua escola. Ele está morto de curiosidade e vai fazer todo o tipo de pergunta.

 

– Tá. Sabe de uma coisa? Papai, a gente não tira sonequinhas nessa escola!

 

– Mesmo? Mas eu pensei que você não era mais bebezinho.

 

– Não sou mesmo!

 

– Que bom. E você fez amigos?

 

– Tem o Neville, e o Timmy, e a Julia, mas ela é menina!

 

– E isso é ruim?

 

– Meninas são chatas!

 

– Bom, você pode mudar de idéia sobre isso depois. Afinal de contas, nem todas as meninas podem ser chatas.

 

– Podem, sim.

 

Severus teve que concordar, internamente. Mas fez questão de destacar que Harry poderia mudar de idéia quando quisesse.

 

– Papai Remus!!

 

Harry se jogou nos braços do aflito lobisomem assim que chegou aos seus aposentos.

 

– Como foi seu primeiro dia?

 

– Legal.

 

– E você fez novos amigos?

 

– Aham.

 

– Gostou da escola?

 

– Sim.

 

Remus olhou para Severus, alarmado. O mestre de Poções recomendou:

 

– Harry, que tal você tomar um banho de banheira com seu Papai Remus antes do jantar?

 

– Tá.

 

– Então vá pegar sua roupa que seu pai já vai.

 

Remus esperou o menino sair para indagar, aflito:

 

– O que ele tem? Ele mal falou duas palavras!

 

– Minha impressão é que ele ficou tão agitado o dia inteiro que agora está morto de sono. Depois do banho, ele vai jantar e apagar feito uma vela no vento. Ele tagarelou o caminho todo até aqui.

 

– E ele gostou?

 

– Ele adorou a escola. Fez amizade com o filho dos Longbottom. Mas também interagiu com outras crianças. Uma professora veio falar comigo. Ela parecia entusiasmada com a reação dele em seu primeiro dia.

 

– Isso é tão bom. Ele pode ser muito retraído na presença de estranhos.

 

– Mas ele parece ter melhorado. Ainda não tem muita certeza sobre nós, mas está chegando lá.

 

– Como assim?

 

– Acho que Harry ainda tem medo de que eu e você possamos desistir dele e devolvê-lo aos tios.

 

– Mas como? Desde quando? Por que acha isso?

 

– Harry é muito bonzinho. Quero dizer, bonzinho demais. Ele não testa seus limites, não faz traquinagens. Ao menos ainda. Esse comportamento pode ser por medo de ser considerado um mau garoto e, portanto, rejeitado. Ele não se sente seguro de cometer uma traquinagem e ainda assim ser merecedor de nosso amor.

 

– Como você sabe?

 

– Tive alguns casos entre Slytherins. Além disso, Madame Pomfrey alertou que esse comportamento é comum entre órfãos ou crianças adotadas. Mais do que isso, Harry foi submetido a abusos. Ele precisa se convencer, por si só e com certeza, de que não mereceu o que os Dursley fizeram a ele.

 

– Vamos fazer isso com ele. Todos os dias, quando ele mais precisar.

 

– Agora é melhor você ir, ou ele vai dormir na banheira.

 

Remus beijou-o:

 

– Já falei o quanto amo você por cuidar de Harry e de mim?

 

– Não hoje. – Severus não escondeu um sorrisinho.

 

– Posso falar mais hoje à noite, depois que Harry dormir. – Remus se esfregou lascivamente contra ele. – Usarei outra linguagem, se preferir.

 

– Vou querer escutar.

 

Capítulo 6 – Interferência oficial

 

No dia seguinte, Harry acordou bem cedo, animadíssimo por mais um dia de aula. Tomou seu café e, enquanto Remus o ajudava a cortar as salsichas, apontou para o alto:

 

– Olha, Papai! Quantas corujas!

 

– Sim, Harry, elas entregam a correspondência. Você sabe disso. Agora coma tudo, ou vamos nos atrasar para a escola.

 

Uma coruja chegou perto de Severus com o Profeta Diário. Assim que ele abriu o jornal viu a manchete, entendeu o motivo pelo qual os murmúrios no salão se intensificaram.

 

Harry Potter está em Hogwarts!, gritava a manchete principal.

 

– Aquele menino? É Potter?

 

– Ele não estava com os parentes Muggles?

 

– E o que ele está fazendo com Snape?

 

– Isso é um absurdo. Minha tia disse que Snape já trabalhou para Você-Sabe-Quem!

 

Severus discretamente trocou um olhar com Dumbledore, cujos olhos azuis brilhavam furiosamente. Ele procurou alertar Remus, que pôs os olhos no jornal e se conteve antes de soltar um palavrão. Harry não percebeu coisa alguma, e ia saindo da cadeirinha, animadíssimo para ir para a escola.

 

– Dê tchau a seu pai – pediu Remus.

 

– Harry, um minuto – pediu Severus. – Está com aquele colar secreto?

 

– Sim. É aquele que eu tenho que usar debaixo da roupa, né?

 

– Isso mesmo. Se você precisar usar, sabe como fazer, não?

 

– Sei! Tenho que gritar bem alto pelo meu Papai Remus e agarrar o colar com toda a força. E aí ele vai fazer a mágica dele, e depois eu tenho que me esconder.

 

– Muito bem. Você é muito esperto, Harry. Agora tenha um bom dia na escola. Depois eu vou querer saber tudo sobre o seu dia.

 

Harry o abraçou com força.

 

– Tchau, Papai Severus!

 

Ele deu a mão a Remus e os dois deixaram Hogwarts. O Prof. Dumbledore se aproximou de Severus:

 

– Vejo que recebeu o jornal.

 

– Bom, deveríamos esperar por isso, não? Mais cedo ou mais tarde iriam descobrir.

 

– Não se preocupe, Severus. Eles não podem fazer nada, por isso o escândalo.

 

Severus tentou se mostrar tranqüilo. Ele estava longe de sentir qualquer tipo de tranqüilidade.

 

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– Este ano vocês terão seus O.W.L.S .– explicava Severus aos alunos Gryffindors e Slytherin. – Apesar de alguns de vocês serem positivamente asininos, eu espero que vocês consigam ao menos um "Aceitável" no seu O.W.L. de Poções ou eu ficarei... desgostoso.

 

Os alunos todos tremeram ao imaginar Snape desgostoso.

 

– Ao final desse ano, é claro, muitos de vocês não mais estudarão comigo. Afinal, eu só aceito os melhores nas minhas aulas, o que significa que alguns de nós estaremos nos despedindo.

 

Ele fez uma pausa para dar efeito dramático. Conseguiu: alguns dos alunos pareciam ansiar pelo momento de dar adeus ao mestre de Poções.

 

– Contudo, temos ainda um ano até o momento feliz da despedida. Até lá, estejam vocês interessados ou não em tirar, porteriormente, um N.E.W.T. em Poções, eu sugiro que se aplique ao máximo para tirar um O.W.L. ou uma nota alta, do padrão que eu espero de meus alunos. Tirem seus cadernos e anotem a poção que faremos hoje.

 

Ele usou a varinha para colocar no quadro os ingredientes e o modo de preparar a poção. Ia dar mais instruções quando viu o Prof. Dumbledore aparecer à porta.

 

– Severus, desculpe interromper sua aula, mas surgiu uma emergência. Por favor, poderia vir ao meu escritório?

 

Severus virou-se para o ruivo na primeira fileira:

 

– Sr. Weasley, como monitor, espero que mantenha a classe em ordem até que eu possa voltar.

 

Severus sabia que boa coisa não era. As perspectivas pioram ainda mais quando ele encontrou diversas pessoas no escritório do diretor, pessoas que – fora Remus – deixaram o jovem mestre de Poções em alerta máximo. Uma delas ele reconheceu de longe:

 

– Senhor Ministro?

 

– Ah, Prof. Snape! – saudou Cornelius Fudge. – Desculpe tê-lo tirado de seus alunos.

 

– Garanto que eles o agradecerão – retorquiu o mestre de Poções, azedo.

 

– De qualquer modo, Prof. Snape – continuou o Ministro –, receio que o assunto que nos traz aqui seja um pouco mais sério do que seus alunos.

 

Severus notou os dois assessores truculentos que o acompanhavam. Aurores, é claro, e pareciam recém-saídos da academia. Ele olhou Remus, que parecia tão apreensivo quanto ele.

 

– O Ministério recebeu a petição de adoção que vocês protocolaram...

 

Remus interrompeu:

 

– Na verdade, senhor, não foi uma petição. Foi um registro de uma adoção já efetuada.

 

Severus ficou surpreso com a calma de Remus. Ele mesmo estava a ponto de estourar.

 

– Pois é, meu caro professor. Deve ter havido algum engano, não é verdade? Ali diz que vocês adotaram Harry Potter.

 

– É a verdade – disse Remus. – Harry era meu afilhado informal, e eu resolvi adotá-lo. Como me casei, meu marido também quis adotá-lo.

 

– O menino não estava com os tios?

 

– Ele não era feliz ali. Agora está muito melhor.

 

– Mas, professor, o senhor é um lobisomem registrado, não?

 

– O senhor sabe muito bem que sim, Ministro. Mas não entendo qual é a relação entre minha condição de lobisomem e a adoção de Harry.

 

– Deveria ser evidente – indignou-se Fudge. – Os riscos para o garoto...

 

Severus interrompeu nesse instante, as vestes flutuando:

 

– O garoto tem outro pai, capaz de cuidar dele quando Remus está indisposto.

 

– Oh, bem, professor, mas o seu passado... Entenda que –

 

– Pensei que a mais alta corte bruxa tinha resolvido esse assunto.

 

– Cornelius – interveio Dumbledore –, esses jovens têm cuidado muito bem do pequeno Harry.

 

O ministro estava incrédulo:

 

– Mas... Dumbledore! Você há de convir...! É o Menino-Que-Sobreviveu! Ele está sendo criado por um ex-Death Eater e um lobisomem! Estou recebendo milhares de reclamações!

 

Severus ia se adiantar, mas Remus o segurou, e Dumbledore apressou-se em dizer:

 

– É precisamente por esse motivo que Harry deve ficar com os dois – reforçou o diretor. – Assim, o menino não será instrumento de propaganda ou barganha política. Poderá crescer em segurança, longe dos jornais, longe da bajulação.

 

– Este menino não é uma criança qualquer, Albus. Ele é *Harry Potter*. O Ministério não vai ficar parado. Por isso é que já mandei uma equipe recolhê-lo.

 

Remus deu um pulo:

 

– Que quer dizer com "recolhê-lo"?

 

– Uma equipe do Ministério foi até a escola pegar o menino e levá-lo para ser examinado por autoridades ministeriais.

 

Foi a vez de Severus e Albus pularem ao mesmo tempo:

 

– *O quê?*

 

– Isso é um absurdo!

 

Foi quando um grito psíquico invadiu a mente do lobisomem. O grito desesperado de seu filho:

 

PAPAI REMUS!!!

 

– Seu filho da puta! – Remus avançou para Fudge, mas Severus o conteve. – Você quer raptar meu filho! Severus, eles estão na escola agora!

 

O mestre de Poções rosnou:

 

– Fudge, se você encostar um dedo no meu filho...

 

Os Aurores que acompanhavam Fudge também se ergueram e puxaram as varinhas. Severus respondeu imediatamente, e Remus também.

 

– Parem! – A voz imperiosa de Albus Dumbledore se ergueu. – Parem com isso! Guardem suas varinhas! Não vou admitir esse comportamento em Hogwarts!

 

Todos pararam, surpresos com a veemência do Diretor geralmente pacato. E ele não tinha terminado:

 

– Você, Cornelius, extrapolou sua autoridade. Isso eu não vou tolerar em Hogwarts. Não há qualquer motivo legal para retirar o garoto da guarda de seus legítimos pais.

 

– Legítimos...! – zombou o ministro.

 

– Remus e Severus podem lhe mostrar todos os papéis que provam o quanto isso é verdadeiro. Harry é o filho mágico dos dois. Eu mesmo verifiquei o elo mágico entre os três. Eles são uma família, de fato e de direito. Você pode não gostar disso, Cornelius, e isso pode não ser conveniente para você, mas eles estão dentro de seus direitos. Deter o menino é ilegal, e eu posso tornar sua vida muito complicada se insistir nisso. Gostaria de medir forças comigo, Cornelius?

 

Enquanto Dumbledore falava, seu poder ficava evidente por todo o recinto. Aquilo acalmou um pouco Remus e fortaleceu a confiança de Severus. O ministro teve a decência de parecer envergonhado.

 

– Eu vou... mandar trazer o menino para cá.

 

Severus garantiu:

 

– Isso não será necessário.

 

– O que quer dizer?

 

– Harry é treinado para situações de emergência. Duvido que seus homens tenham conseguido levá-lo para qualquer lugar.

 

– Isso é impossível! Ele não conseguiria se livrar de dois Aurores treinados.

 

Remus garantiu:

 

– Harry é um menino muito esperto. Ele tem instruções precisas para agir em situações de perigo. Posso sentir que ele está bem agora. Assustado, mas bem.

 

De repente, os dois Aurores entraram no escritório do diretor, esbaforidos.

 

– Sr. Ministro, o menino... ele desapareceu!

 

– Desapareceu?

 

– Como assim, desapareceu?

 

– Ele estava na nossa frente, e de repente o danadinho não estava mais! Aparatou!

 

– Não seja ridículo! O menino tem seis anos! Como vocês deixaram uma criança escapar debaixo de seu nariz?

 

Eles pareceram vexados.

 

– O menino era bem rápido, Senhor Ministro.

 

– Como uma criança de seis anos pode Aparatar sem deixar metade do corpo para trás?

 

Severus lembrou sarcástico:

 

– Parece subestimar Harry, Ministro. Ele tinha menos de dois anos quando deteve um Avada Kedrava. Ou já se esqueceu disso?

 

Cornelius Fudge perdeu toda a cor do rosto.