Nome da fic: Frustrando Petúnia
Autor: Magalud
Pares: Severus/Lily (implícito)
Censura: Livre
Gênero: Angst, Drama, Ação/Aventura
Spoilers: Spoilers para Livro 7
Desafio: Tempo de Guerra
Resumo: Severus sabe que tem que ficar de olho em Petúnia
Notas: Adoro esses what-if?
Agradecimentos: Chris, minha beta de sempre.
Disclaimer: Todos os personagens que você consegue reconhecer são de JKR, os outros são meus.
Esta fic faz parte do SnapeFest 2007, uma iniciativa do grupo SnapeFest, e está arquivada no site
http://oxetrem.com/fest. ¶

 

 

 

 

Ele estava possesso. Literalmente possesso de fúria e uma ira fria e direcionada.

 

Em seus braços, o bebê o encarava curiosamente. Não sabia se ria ou chorava, pois não conseguia entender se o estranho era amigo ou não. O bebê vivia esperando sua mamãe voltar. Ela estava demorando muito.

 

O homem ainda estava tremendo de ódio após ter discutido com a mulher do orfanato. Não era culpa dela, claro. Ele mal conseguira se controlar antes de pegar o garoto e deixar aquele lugar desprezível. Agora ele pretendia descarregar o ódio em quem de direito merecia receber sua língua ferina.

 

Na rua muito arrumada, de casas muito iguais e limpas, ele se postou em frente ao número 4 e bateu à porta. A mulher abriu.

 

O bebê reconheceu a mulher e sorriu, batendo palminhas. A mulher também reconheceu o bebê, mas sua reação foi bem diferente.

 

Ela também reconheceu o homem.

 

– Você!...

 

– Boa tarde, Petúnia. Fico feliz em ver que não se esqueceu de mim após todos esses anos.

 

– Seu desqualificado, como você ousa...?!

 

Ele a interrompeu:

 

– Acredito que você tenha extraviado... isso.

 

Prontamente, Severus Snape colocou o bebê nos relutantes braços de sua tia Petúnia Dursley. Sem chance de reagir, ela aceitou o fardo em seus braços.

 

Sem fazer idéia do que estava acontecendo, Harry Potter, 18 meses e 25 dias de vida, agarrou-se à tia com prazer. Ele estava cansado de tantos estranhos, e tia P’Túnia era um rosto conhecido.

 

– Eu não quero esse anormal na minha casa! – Ela tentou controlar a voz, mas se pudesse, estaria gritando. – Ele pode contaminar meu Dudley!

 

– O garoto precisa ficar com você. A carta de Dumbledore foi bastante clara e inequívoca.

 

– Como você o achou?

 

– Eu fui até o orfanato onde você tentou abandoná-lo. Tenha a certeza de que eles jamais vão atendê-la novamente.

 

– Mas eu não quero esse monstrinho aqui! Vocês não podem me obrigar!

 

– Na verdade, podemos. – A voz dele era tão ameaçadora que ela estremeceu. – Mas acho que você mesma vai chegar à conclusão de que cuidar do menino é do seu interesse.

 

– Por quê?

 

– Porque um dia a mesma pessoa que matou Lily vai voltar e vai querer se vingar desse menino. Não sabemos quando isso poderá ser. Só sabemos que, enquanto ele estiver morando aqui, ele estará protegido.

 

– E o que me interessa esse anormal?

 

– Petúnia, enquanto o garoto estiver protegido, vocês também estarão. É assim que funciona o feitiço.

 

Ela soltou um grito tão agudo que parecia ser um latido.

 

– Shh! Não diga essa palavra!

 

Snape ergueu uma sobrancelha:

 

– Então você vai ficar com o menino?

 

– Está bem, está bem, eu fico! – ela rosnou, contrariadíssima. – Não sei como vou falar com Vernon...

 

Ele suprimiu um sorriso ao se oferecer:

 

– Se eu puder ser de alguma ajuda quanto a isso... Garanto que posso ser muito persuasivo.

 

– Não! – Petúnia sentiu o sangue fugir-lhe inteiramente do rosto. – Não quero sua persuasão anormal no meu Vernon.

 

– Então se certifique de que seu marido entenda que o menino deverá ficar com vocês. Não há alternativa. Está claro?

 

– Sim! – Ela quase cuspiu, e o bebê se assustou.

 

– Não se equivoque. Se por um acaso, você se esquecer dessa nossa conversa, eu terei o maior prazer em vir até aqui para lembrá-la.

 

– Eu entendi, eu entendi!

 

– E trarei Dumbledore, só para ele lhe dizer o que espera você e sua família caso pense em devolver o filho de Lily de novo.

 

– Já disse que entendi, sua aberração!

 

– Então, até lá, tenha uma boa vida com o seu sobrinho.

 

Ele virou-se e Petúnia o observou, um pensamento em sua cabeça. Num impulso, chamou:

 

– Snape, espere!

 

Ele estava quase na calçada, e virou-se. Ela deu um passo em sua direção, hesitante.

 

– Lily... Ela... morreu mesmo?

 

Ela viu o rosto de Snape adquirir um semblante de dor por um segundo. Mas o segundo passou, e a dor foi substituída por uma raiva gelada nos olhos pretos.

 

– Ela foi assassinada protegendo esse pirralho do Lord das Trevas.

 

Ela cochichou com raiva.

 

– Você podia ter evitado, não? Ela disse que você se bandeou para o lado dele. Você é um deles! Podia ter evitado que isso terminasse desse jeito.

 

Era a coisa errada a se dizer. O olhar de Snape foi tão intenso que Petúnia efetivamente se encolheu, apertando Harry, que estava em seus braços, alheio ao que se passava.

 

Severus a teria fulminado ali mesmo, se pudesse. O ódio que sentia era visceral, parecia exudar de seus poros.

 

Mas ele prometera a Dumbledore ajudar a proteger Harry.

 

O homem olhou para o garoto e disse, apenas:

 

– Cuide do menino.

 

Virou-se novamente. Pensou melhor e voltou-se de novo para ela. Harry sorriu para o homem.

 

Severus o ignorou, estreitando os olhos para a mulher.

 

– E tenha em mente: isso está longe de terminar.

 

E foi embora, prometendo-se jamais voltar. Mas ele sabia que os dias para reencontrar Harry Potter estavam contados. Quando o menino pusesse o pé em Hogwarts, ele teria que encarar novamente os olhos verdes brilhantes.

 

Impossível não pensar em Lily. Em 10 anos, seu inferno começaria.

 

The End